Sim, o músico Chico Batera está na ativa!

Chico Batera, 56 anos de carreira, fez um desabafo recente na internet. Em vídeo publicado em sua página no Facebook, disse estar cansado de ouvir a seguinte pergunta: “Você ainda toca?”. Chico Batera vive em Niterói, tem 73 anos. Como as contas não param de chegar, está na ativa, e toda sexta se apresenta no Hotel Vila Galé, na Lapa. Foi lá que o portal Coisas da Música filmou o artista, ao lado do pianista Marcos Ariel. Os dois tocam “Surfboard”, de Tom Jobim.

É como já foi dito por aí: músico não vive de vento. Chico Batera, apesar da longa ficha de serviços prestados à MPB, precisa sair de casa pra defender o seu cachê. Na mensagem que gravou, responde à pergunta que tem gerado desconforto:

– Não só estou tocando como você pode me adicionar no Facebook, tem aqui meu e-mail, meu telefone, e me chamar pra uma gig, um trabalho…

E cita Chico Buarque, de cuja banda faz parte desde os anos 1980.

– …Mas chama logo, porque… Assim como a gente fala lá na banda do Chico, cada vez que termina uma temporada: “Chico, não demora muito a chamar a gente de novo não”.

O cartaz de divulgação da temporada de Chico Batera Foto: Reprodução da internet

O cartaz de divulgação da temporada de Chico Batera no Hotel Vila Galé Foto: Reprodução da internet

Beco das Garrafas

Se hoje Chico Batera sai de Niterói para tocar na Lapa, quando iniciou a carreira, em 1960, o destino era outro: o Beco das Garrafas, em Copacabana, berço da bossa nova e do jazz. Formou um trio com o pianista Sérgio Mendes e o baixista Tião Neto, e com eles fez sua primeira excursão aos Estados Unidos.

A viagem aconteceu em novembro de 1964. Jorge Ben, Wanda Sá e Rosinha de Valença se juntaram ao trio para os shows, que foram apresentados nas universidades e nos clubes de jazz americanos.

– Foi uma das primeiras vezes que o público americano pôde ver um grupo de músicos brasileiros tocando música brasileira – diz Chico Batera.

Ao final da temporada, o conjunto gravou um LP pela Capitol, que trazia, na capa, a curiosa descrição: “The greatest new south american arrival since coffee!”. Ouça faixa do disco:

Dois anos depois, Chico Batera foi para a Alemanha para participar de um festival de jazz. Com ele, foram Rosinha de Valença, Edu Lobo, Sylvia Telles, Jorge Arena, Rubens Bassini, Marly Tavares, Dom Salvador, Sérgio Barroso e J. T. Meirelles. O conjunto fora formado pelo baterista, a convite de Victor Assis Brasil, que havia sido contatado pelo crítico alemão Joachim Berendt, um dos produtores do festival.

Victor não pôde viajar, pois conseguira uma bolsa de estudos na Áustria, e procurou Chico Batera. O show, intitulado “Folklore e Bossa Nova do Brasil”, foi registrado no vídeo que encerra este texto.

Firme e forte

Chico Batera é um instrumentista que correu o mundo divulgando a música brasileira, principalmente durante a década de 1960, quando a bossa nova conquistou adeptos nos quatro continentes. Gravou com Tom Jobim, Baden Powell, Victor Assis Brasil, Elis Regina, João Bosco, Chico Buarque e outros tantos. E, não custa repetir, continua na ativa!

 

Créditos adicionais:

Foto de capa: Reprodução do perfil de Chico Batera no Facebook

Vídeo com o LP “Brasil ’65”: Música “Berimbau” (Baden Powell e Vinicius de Moraes), com Sérgio Mendes Trio, Rosinha de Valença e Wanda Sá. Gravadora Capitol, 1965. Postado no YouTube por ImproTunes

Vídeo com o show “Folklore e Bossa Nova do Brasil”. Berlim, Alemanha, 1966. Postado no YouTube por wasaexpress

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