O lado B de Mauricio Einhorn

No primeiro set do show, uma amiga de Arnaldo Costa, parceiro de Mauricio Einhorn em 63 músicas, pediu que o gaitista tocasse “Alvorada”, composta pelos dois em 1962. O tema não estava no roteiro da apresentação com o guitarrista Joseval Paes, mas Einhorn pediu licença ao companheiro de palco e tocou a melodia, sozinho. Como devoto da boa música, Joseval assumiu a postura altiva que lhe é característica. O vídeo acima é o registro do momento, e foi feito pelo portal Coisas da Música no Bottle’s Bar, no Beco das Garrafas, na noite de sexta-feira, dia 5. A boate fica em Copacabana, na Zona Sul do Rio.

A interpretação de “Alvorada” emocionou os que compareceram ao show. Entre eles, Jaime Araújo, da Orquestra Tabajara, e Gabriel Grossi, aluno e discípulo do artista. Antes de tocá-la, Mauricio Einhorn, que completa 86 anos no dia 29, lembrou o contexto da composição.

– Foi num terraço na Rua Oto de Alencar (bairro Maracanã). Ela nasceu às cinco da manhã, naquele dia em que você vê cores que não imaginava que existiam. É muito bonito. Nós não ensaiamos. Eu fui fazendo um solo e o Arnaldo Costa foi me acompanhando no violão. Se nós convencionássemos alguma coisa… Mas não, não houve convenção alguma. Ficamos surpresos, e os dois se chamaram de maluco um ao outro. Coisas que a natureza explica – disse o músico à plateia.

Músicas inéditas

“Alvorada” foi gravada, mas nunca com a letra feita por Lula Freire. Ainda assim, faz parte do repertório menos badalado de composições de Mauricio Einhorn, como “Travessuras”, com Alberto Araújo, “Te Olhei”, com Alberto Chimelli, e “Já Era”, com Eumir Deodato.

E é a esse grupo de músicas que ele se dedica no show com Joseval Paes. Quando os dois se encontram, Einhorn abre a gaveta e as obras aparecem. Boa parte delas é de inéditas, como “Valsa Simples” e “Burlesque”, também com Arnaldo Costa.

No acervo das que nunca foram gravadas, ainda aparece “Te Lembras Daquele Filme, Chicão?”, que faz menção ao tema “As Time Goes By”, do filme “Casablanca”. As músicas estavam em fitas cassetes, que foram convertidas em CD e repassadas ao guitarrista.

– Fiz um esforço para aprender todas. Quanto tocamos juntos, a gente começa a mexer nas coisas. Ele faz algo, eu respondo, e sempre dá certo. É a maravilha do jazz – diz Joseval Paes.

No show de estreia do duo, no Bottles Bar, Mauricio Einhorn falou algo semelhante:

– Eu imagino algo musicalmente e ele capta, como transmissão de pensamento. É assim que as afinidades acontecem.

O próximo passo é compor juntos.

– O Mauricio não para de criar. Há melodias prontas ou semi-prontas, que só precisam de um acabamento. Acho que posso ajudar – diz Joseval.

Homenagem

Professor no Conservatório de Tatuí, considerada a maior escola de música da América Latina, Joseval Paes prepara uma celebração, na instituição, pelo aniversário de Mauricio Einhorn, que completa 86 anos no dia 29. O evento será na próxima terça-feira, e terá início com um workshop oferecido pelo gaitista e pelo guitarrista aos alunos da escola. À noite, o grande show, que terá a participação da big band, do conjunto de jazz e dos estudantes de artes cênicas. Joseval Paes e Mauricio Einhorn também subirão ao palco.

– O grupo de alunos de teatro têm até 15 anos. Eles não conheciam as músicas do Mauricio, e estão encantados. Os ensaios têm sido emocionantes – conta Joseval.

 

Créditos adicionais

Foto de capa: Bernardo Costa/portal Coisas da Música

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