Som Imaginário: a esperança de óculos

Tavito com o Som Imaginário na Caixa Cultural Foto: Bernardo Costa/coisasdamusica

Tavito com o Som Imaginário na Caixa Cultural Foto: Bernardo Costa/coisasdamusica

No camarim da Caixa Cultural, no Centro do Rio, Tavito afirmava:

– É a Maria Bravo. É ela a esperança de óculos.

O violonista se referia à primeira filha de Zé Rodrix e à música “Casa no campo”, feita em parceria com o amigo. E ali, após a apresentação, lembrava  detalhes da composição que havia acabado de interpretar para uma plateia lotada. Tavito estava ao lado de Nivaldo Ornelas (sopros), Robertinho Silva (bateria), Victor Biglione (guitarra), Luiz Alves (contrabaixo) e Wagner Tiso (piano); e o portal Coisas da Música, no show do Som Imaginário.

– É esse o nome dela?

– Sim, a Maria Bravo estava para nascer quando o Zé Rodrix escreveu a letra.

E Tavito comentava mais sobre o surgimento da canção. A história dá uma dimensão dos tempos de repressão da década de 1970, quando o Som Imaginário foi formado para acompanhar Milton Nascimento. Além de Zé Rodrix, foram lembrados outros integrantes do conjunto, que se reuniu para dois shows no último fim de semana.

– Quero pedir aplausos também para o Fredera, guitarra, os percussionistas Laudir de Oliveira e Naná Vasconcelos, e para o Paulinho Braga, grande baterista que fazia as folgas do Robertinho – citou Wagner Tiso, antes de dar os primeiros acordes de “A matança do porco”, música de sua autoria que deu nome ao terceiro e último LP do grupo, de 1973.

Robertinho Silva, Victor Biglione e Luiz ALves: nova formação do Som Imaginário Foto: Bernardo Costa/coisasdamusica

Robertinho Silva, Victor Biglione e Luiz Alves: nova formação do Som Imaginário Foto: Bernardo Costa/coisasdamusica

Casa no campo

O Som Imaginário teve curta duração: os três primeiros anos da década de 1970. Gravou três LPs e, além de acompanhar Milton Nascimento, participou de shows de outros artistas, como Gal Costa. Foi durante uma turnê com a cantora, numa viagem de Brasília a Goiânia, que Zé Rodrix e Tavito compuseram “Casa no campo”.

A ditadura militar vivia seu momento de maior repressão. O clima pesado atingia os artistas em cheio. Mas Zé Rodrix iria ser pai! Sentimentos conflitantes, caneta e papel: começa a canção.

– Ele estava com a cabeça um pouco conturbada e foi rabiscando os versos na viagem – lembrou Tavito durante o show: – Quando chegamos ao hotel, ele virou pra mim e disse: ‘toma, pra você musicar’. Estávamos no mesmo quarto. Sentei e fiz a música na hora, em três minutos. Naquele tempo, a gente vivia um surto de criatividade.

Nivaldo Ornelas e Tavito: Som Imaginário na Caixa Cultural Foto: Bernardo Costa/coisasdamusica

Nivaldo Ornelas e Tavito: Som Imaginário na Caixa Cultural Foto: Bernardo Costa/coisasdamusica

Elis Regina

Ao contrário de “Feira moderna”, “Matança do porco” e “Milagre dos peixes”, que o conjunto tocou na Caixa Cultural, “Casa no campo” não foi gravada pelo Som Imaginário. Na mesma noite que a compuseram, Tavito e Zé Rodrix foram mostrá-la aos colegas, que não demonstraram entusiasmo pela música. Mas Elis Regina, sim.

– A música foi apresentada no Festival Internacional da Canção. A Elis Regina estava no júri e gostou da canção. Ela gravou e fez de “Casa no campo” um grande sucesso.

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